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sábado, 9 de dezembro de 2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

10º tentativa de se reconstruir em um corpo-flor

Em minha pesquisa Corpo-Flor, foram poucos os momentos em que desejei entrar em matas para criar alguma obra em vídeo, fotografia, site specific. Todas minhas experimentações e registros, foram feitos dentro de minha casa. Dentro de um lugar feito de cimento, lajota, ferro. Paredes (de memórias), móveis de maneira, eletrodomésticos comprados ha 7 anos, internet, objetos de vidro, cerâmica, e jardins compostos por plantas naturais-artificiais. Corpo-flor nasce ouvindo buzinadas, barulhos de liquidificador, de televisão, de radio e as vezes tiros. Como resposta, em meio ao caos sonoro, este corpo tenta se fazer ouvido através de gritos prazer, raiva, medo, e gargalhadas de deboche e desprezo. Consegue ajuda e a oferece.

Nessa pesquisa, venho propondo uma corporeidade que constitui-se numa relação unica com a natureza; em sua pele brotam flores e plantas. Corpo-flor provoca em mim inúmeros questionamentos sobre um modelo de humanidade produzido por uma branquitude delirante e toxica,  que conduz nossas relações com a história-cultura.

Este território onde Corpo-flor surge e se alimenta, também é composto por memórias, afetos, desejo, tradições e traduções. Sendo assim, venho falando de um corpo hibrido. Hibrido de temporalidades. Ao reapropriar-se de saberes ancestrais, usando-os em sua contemporaneidade, este corpo traduz e atualiza tradições afro brasileiras e africanas, e produz para sim uma estética hibrida de passado e presente. Isso significa que Corpo-flor não se afirma na tentativa de materializar-se numa pureza que compõe um modo nostálgico e idealizado de voltar-se ao passado Africano. Entendo que o acesso a este passado só se da na atualização dele no presente. Sua contemplação só é possível através de transcrições; justamente aquilo que venho fazendo com corpo-flor. Eu reteriorializo no presente um corpo pré-colonial. Um corpo que em algum momento da história, experimentava-se sem o auxilo das identidades raciais e sexuais que há séculos configuram a ocidentalidade.

Em toda identidade ha uma fração de violência, pois a identidade constitui-se num complexo processo que afirma e cristaliza um modo de viver. Pensado nisso, preocupo-me em qual identidade tenho criado com o corpo-flor. Também penso em como venho criando. Para proteger-lo de violências (neo)coloniais, e potencializar aquilo que de bom lhe foi plantado, produzo para Corpo-flor próteses orgânicas, feitas com plantas, tecido, silicone, latex, ouro e tinta sintética. Entendo como prótese tudo aquilo que encontra-se acoplado no corpo, mas não foi produzido através de seus processos bioquímicos. Sendo assim, próteses são roupas, acessórios, calçados, maquiagem.

Parcialmente concluo que, corpo-flor possui uma estética hibrida temporalidades, generos e território geografico-afetivo. Corpo-flor é afro-brasileiro, ancestral-contemporâneo, tribal-urbano e também habita o entre lugar da masculinidade-feminidade.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

domingo, 3 de dezembro de 2017

9º tentativa de se reconstruir em um corpo-flor

estou experimentando as tinturas faciais. tenho gostado bastante dos resultados. tem sido uma maneira de me despersonificar. separar, esteticamente, castiel do corpo-flor.







CARTOGRAFANDO MINHA ESTRATÉGIA POÉTICA

O que as plantas me dizem? 
Um pouco sobre aquilo que foi despertado em mim, durante a vivencia no terreiro de Pai Gildo

As plantas me trouxeram ate aqui, e agora sinto que preciso andar um pouco a frente delas. Elas sempre iram me acompanhar.  As ervas, flores, raízes, constituem minha corporeidade e poética de modo profundo. Abandona-las ou ignora-las é uma decisão impossível de ser feita por mim. 
Sendo assim, noto que meu atual desafio e desejo é produzir com aquilo que expande a materialidade das plantas, alcançado e produzindo novos ângulos em meu território existencial Bem, ainda tenho investigado como as plantas comparecem em minha vida de maneira singular e coletiva. Em, agora também pergunto-me qual lugar elas ocupam minha história-cultura. 
Sou um corpo afrodiasporico. Na tribo onde minha genética histórica-cultural foi sistematizada, provavelmente há plantas consogradas. Eu poderia estacionar por ai, mas tenho me perguntado o que mais constitui aquele espaço e outros espaços, e de como as plantas relacionam-se com esses outros elementos. 

Temos que fuigr do simplismo. Análises simplistas. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

sinto na pele

Todo fazer em Arte constitui uma estética politica, ou seja, assume um posicionamento ético ou reproduz uma moral já estabelecida. A Arte, enquanto sistema ocidental, nunca foi neutra, esterilizada, pelo contrário, sua história é absurdamente imunda de práticas desumanizadoras. Eu enquanto pessoa negra e bixa sinto isso na pele.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

descarrego arquitetônico

Vou pedir para Iansã fazer chover água temperada com muito sal grosso. Uma chuva que dure 400 anos. 
Quando as construções dessa cidade estiverem limpas, convidarei Xangô, com seu martelo, para destruir todas essas igrejas, republicas e casas. 
Logo em seguida encontrarei com Ossain. Com sua inteligência, Ossain irá me ajuda a escolher as plantas que serão misturas junto ao barro, areia e cimento.
Oxum e Iemanjá forneceram águas de acolhida e liberdade.
Com essa mistura, construirei novas casas. 
E, finalmente me sentirei segura. Confortável. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

7º tentativa de se reconstruir em um corpo-flor

por que minha casa me importa tanto?







6° tentativa de se reconstruir em um corpo-flor

6° tentativa de se reconstruir em um corpo-flor
Corpo-flor já não é mais o mesmo, pois eu não sou. Nossa singularidade foi reteritorializada, em um território ainda incerto e em produção. Dois corpos diferentes, experimentando o receio da, já não mais controlável, expansão de seus desejos. É possível habitar alguma identidade sem sentir um mínimo grau de horror?
registros das outras tentativas em:https://www.instagram.com/gartthion/?hl=pt-br








MANUAL DE USO DA GRANDE VITÓRIA |para&por corpos negros-bixas

MANUAL DE USO DA GRANDE VITÓRIA |para&por corpos negros-bixas

Este manual te instrumentaliza em novos usos da Grande Vitória. Para isso, indica reapropriações das peças sensíveis e inanimadas que compõem este equipamento. As ações foram elaboradas de acordo com as demandas apresentadas por usuárias negras-bichas e recomendam resoluções para os seguintes problemas: racismo, cisheteronormatividade, misoginia, e outros de origem fascista. Realize os procedimentos apresentados neste manual de acordo com sua necessidade. Atenção: O equipamento Grande Vitória demanda reparo urgente e constante. 

No lançamento do MANUAL DE USO DA GRANDE VITÓRIA |para&por corpos negros-bixas

No lançamento do nosso "Manual do Usuário da Grande Vitória - para&por corpos negros-bixas".
O manual ta sendo distribuido gratuitamente; nun evento onde um copinho de cerveja nun custa menos de 13reaix. O local publico. A entrada é grátis e a permanência é cara. Isso se chama racismo estrutural. 
Nossa(s) obra(s) é produto de uma residencia patrocinada pela burguesia capixaba, q teve como parcera, também, a criminosa empresa Vale. 
Nosso Coletivo Kuirlombo poderia ter usado a grana e os espaços para fortalecer a negritude subserviente que a branquitude criou e tanto gosta. Mas, felizmente, conseguimos mais uma vez decepcionar o colonizador. 
A arte é uma instituição branca-facista. Assim como a arquitetura e o urbanismo brasileiro. Nao existe dinheiro ou lugar limpo de violencia. Sendo, vamos então reocupa-los com o terror. Redistribuir violências, àqueles que nos agridem. Quem topa entrar pro grupo das terroristas de gêneros racializados?





sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O QUE (NÃO) ESPERAR DO MAR

O QUE (NÃO) ESPERAR DO MAR

-Espere pelo retorno de uma embarcação que não lhe prometeu volta.

-Leia uma notícia sobre naufrago. Sente de frente para o mar. Espere por aquele barco naufragado. 

- Espere que os marinheiros respeitem a capacidade que seu corpo-atracadouro possui de comportar embarcações. 

(experimentação do espaço Museu da Vale (ES) , feita durante a residencia artística Infinitas.)


NÃO PISE NA GRAMA

experimentação do espaço Museu da Vale (ES) , feita durante a residencia artística Infinitas.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

COLETE SALVA-VIDAS



Como não me afogar novamente? Tenho me feito essa pergunta há alguns meses. Como não me afogar novamente? Como não me afogar novamente? Essa pergunta tem me perturbado e me redirecionado à novas rotas.  Como não me afundar novamente em um mar de angustias? Fui a procura daquelas e daqueles que conhecem este mar. Fui reorientada. Revisitei memórias do meu corpo, e reaprendi movimentos de nado criados há seculos e atualizados durante todos esses anos. Também os atualizei.  Agora, sinto que estou mais forte para não me deixar levar pelas ondas de tristeza e melancolia. Mas, sei que ainda tenho inseguranças, medo de não saber nadar. Confuso. Então criei um colete salva-vidas. O preenchi de arruda, abre caminho, guine, alecrim, elevante e hibisco. Essas foram as ervas recomendadas a mim pelo Caboclo Sol e Lua, durante uma de minhas aulas de nado; processos de cura e aprendizagem. Noto que meu corpo torna-se mais confiante quando acopla-se com essa prótese. Nesses momentos, a vontade de entrar no mar é tão intensa que sinto meu corpo refrescado, e o calor, provocado pelo racismo, desaparece.    






terça-feira, 3 de outubro de 2017

no fim

No fim, o que sobrevive são afetos. Tristes ou felizes. Metamorfoseados ou conservados. No fim, assim como no começo, somos corpos se autoproduzindo em afetos. 

domingo, 3 de setembro de 2017

Carta a Gabriel

Eu sou a resposta que não foi pensada para a pergunta que você fez ha três anos atras. Você me constitui, habita minha memória, minha identidade, meus afetos, minha corporeidade. Não mais te nego, não tento te apagar, muito menos quero te esquecer. Hoje compreendo que você  atualiza-se em mim. Somos amigas, companheiras, confidentes. Somos pessoas diferentes.

Meu olhar mudou. Assusto-me ao lembrar do vazio que preenchi com incertezas, pois compreendo que este lugar não mais existe. Não sou um sujeito faltante, confortado com a ideia de que aquilo que procuro nunca será encontrado. Tenho náuseas ao me pensar enquanto corpo melancólico, triste, saudosista. Compreendi que a tristeza não deve ser naturalizada como uma etapa para consegui experienciar uma inabalável saudade psíquica, que por sinal é utópica. Entendo que momentos de angustias serão comuns em mim, irão me atravessar diversas vezes ao longo desta vida. Contudo, não os naturalizo, e sim os denuncio. Não quero ser um corpo a deriva, quero ser nadador  Mergulhador. Tenho objetivos. Quero aprender a não me afundar, mesmo sabendo que no futuro novamente irei habitar o fundo deste mar de incertezas. Ser saudável é ter um corpo forte o bastante para sobreviver aos inúmeros náufragos.  

Revindico minha felicidade, minha alegria. Reivindico autonomia para produzir um corpo que consegue apontar em si certezas. A transsexualidade não me contempla, muito menos a travestilidade. Tenho me pensado Bixa. Sendo assim pergunto-me: a quem pertence o feminino?. Me perdi nas infinitas possibilidades de identidades que foram-me apresentadas e experimentadas, e as desaprender tem sido complicado, porem necessário.  Venho me reencontrando na Bixa. Sou negra. Sou bixa. Sou feminina. Não mais me nego, me reafirmo, me reivindico. Reivindico ajuda, paciência. Reivindico um novo corpo. Reivindico força para consegui habitar este novo corpo. Reivindico autoria sobre minha vida. Eu me quero, não me nego.

Eu não sou mulher, não sou travesti, essas corporeidade localizam-se em mim como próteses discursas, que potencializam minha bixalidade.  Não forte, não sou maravilhosa, não sou incrível. Não sou um personagem. Não sou Gabriel. Não sou a Castiel que muitos esperam que eu seja. 
Sou intensa, insegura e  frágil. 
Estou me re-conhecendo.
Me redescobrindo.
Me reabitando. 
Me recorporificando. 

Sou mar e rio. Nascente e areia. Sou o ar. 


  

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Estou me costurando

Fui convidada para participar da edição Identidade da revista Cartola Mag . Produzi um texto ético-poético sobre meus processos identitários, o titulei "Estou me costurando". Nele, denuncio os mecanismo que precarizam meu corpo negro-bixa. E discorro sobre meus movimentos de ataque à essas relações que me subalternizam.
Logo abaixo, há um trecho de minha contribuição. Leiam completo em:https://issuu.com/cartolam…/docs/cartola_mag_-_identidade/62
"E eu costuro em mim, feminilidades marginalizadas, deslegitimadas, exterminadas, ridicularizadas, questionadas por serem corporificadas em corpos que ocupam o lugar da precariedade, no sistema de raça. Há em mim fragmentos de mulheres negras, indígenas, travestis, transexuais e também bixas pretas não-binárias. Costuradas em minha pele estão Madame Satã e a dançarina Lacraia. Sou apenas uma pele feminina do terceiro mundo, exportada como a mercadoria mais barata do mercado? Não!. Reivindico-me enquanto pele feminina autônoma, sou capitalistamente inegociável, sou impagável, sou imensurável. Eu sobrevivo de trocas e não de compras. Troco bons afetos, numa tentativa de criar uma rede mundial de confiança. Segurança. Respeito."


terça-feira, 29 de agosto de 2017

ACREDITE E FAÇA - experiências de uma corporeidade preta-bixa-artista

Neste vídeo falo sobre minha experiência enquanto artista negra bixa. Se reconhecer artista tem sido um processo doloroso, repleto de inseguranças, incertezas, crises depressivas e de auto-estima. Mas, também venho experimentando bons afetos. Amor, felicidade, confiança, saúde. Bem, essas guerras neocoloniais estão longe do fim, sendo assim criei uma performance chamada "COMO SE PREPARAR PARA A GUERRA". Neste vídeo, também falo sobre ela. 
Agradeço ao Jorge Lopes, pelas palavras que me potencializaram. 
Agradeço a bixa Napê pelas inúmeras conversas que expandiram minha corporeidade negra-bixa-artista.




segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Carta a um antigo companheiro de nado

Demoramos um tempo para criarmos coragem e entramos juntos neste mar de paixões e incertezas. Nos banhamos de amor e raiva. Juntos descobrimos ilhas de liberdade, ilhas de felicidade, ilhas de alegria. Eu adorei  conhecer esses lugares com você. 
Hoje vejo que nós nunca nadamos na mesma velocidade ou profundidade. Isso não é possível, ainda bem. Em vários momentos mergulhamos sozinhos, numa tentativa de encontrarmos paz, silencio. Eu tive medo, confundi alguns de seus mergulhos com afogamento. Quis te estender minha mão, quando o que você precisava era de minha paciência. E hoje a tenho. 
Eu adorava nadar com você, reaprendi contigo movimentos que tinha esquecido. Com você redescobri meu corpo, minha pele. Deve ser por isso que as vezes desejo nadar novamente contigo. A sensação que eu tenho é que agora consigo diferenciar afogamento de mergulho. Esse deve ser o motivo de eu sentir vontade de achar um novo companheiro de nado. Penso que poderia ser você, mas lembro das vezes que precisei de seu (a)braço e não o tive. Contudo, ainda assim continuo desejando novos nados com você, mesmo sentindo que meu corpo não esta habito para isso. 
Para nadarmos juntos novamente, você teria que me apresentar novos movimentos. E eu teria que me esforçar para aprende-los. Eu quero ter essas aulas, quero aprender, sendo você o professor ou não. Sim, quero ser reconquistado e amar novamente, não tenho vergonha ou medo de dizer isso. E você, ainda tem receio desses sentimentos? 
Apesar de tudo, nadar sozinho também tem me feito bem. É estranho, doloroso, confuso, mas necessário. Por conta disso, me pergunto se essa carta é uma maneira de que encontrei de justificar um fracasso, um afogamento. Mas, querer não mais estar solitário é fracassar? 
Enfim, as águas me contaram que você também não esta bem. Tive vontade de te ajudar, porém, aqui de longe não consigo perceber se você esta se afogando ou apenas mergulhando. Para mim também não esta sendo facil. Espero que nós dois consigamos chegar à superfície novamente. 
Ainda me preocupo com você, mande notícias assim que quiser e puder. 

Abraços, daquele que te disse adeus por necessidade, e não por vontade. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Lembranças de Porto Seguro

Você me plantou em terra fértil, e me jogou num rio que deságua no mar. Perdi pétalas, e produzir novas, da cor daqueles nutrientes afetivos que você regou em mim quando eu estava em terra firme. Você me alertou sobre as correntezas. Você me ensinou sobre as ondas. Eu quis voltar, dai lembrei que você me disse não ser possível nadar contra a corrente. Eu quis desistir, então lembrei que você me falou que sou uma planta forte, que eu iria consegui. Vó, enraizar no mar é muito difícil. Habitar o mar é complicado. Mas eu o quero, o desejo. Estou aprendendo a não me afundar. Como é estar aqui por tanto tempo? Continue me ensinando a sobreviver às tempestades. Como você sempre me alerta: o mar não tem cabelo. Sendo assim, eu te peço: deixe-me então segurar o seu.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

COMO SE PREPARAR PARA A GUERRA

Na contemporaneidade, o corpo negro enfrenta guerras neo-coloniais. Para acabar com as perdas, é preciso sobreviver a estes conflitos. Sendo assim, estratégias de resistências devem ser atualizadas. 









terça-feira, 8 de agosto de 2017

sábado, 5 de agosto de 2017